Síndrome dolorosa miofascial
As disfunções
temporomandibulares (DTM) tem sido consideradas como um termo
coletivo para descrever patologias relacionadas à articulação
temporomandibular (ATM), à musculatura mastigatória,
ou ambas, de acordo com a Academia Americana de Dor Orofacial.
São consideradas dores do tipo somática, profunda,
músculo-esqueletal, que se exacerbam com a função
(mastigar, falar e a palpação muscular ou da
ATM). Estas características são fundamentais
para se obter o correto diagnóstico e tratamento.
Como os sintomas
dolorosos da DTM são de origem trigeminal, freqüentemente
geram confusão no diagnóstico, pois muitas dores
faciais interagem com a sintomotologia temporomandibular.
As cefaléias primárias, as neuropatias, miopatias,
patologias ósseas e da parótida utilizam também
o trigêmio para conduzir a dor, podendo se confundir
com os sintomas dolorosos da ATM.
Classificação
Como DTM envolve
mais sintomas relacionados à ATM e a musculatura
mastigatória, dificilmente estes sinais e sintomas
se apresentam isolados, exclusivamente só musculares
ou só articulares. Portanto esta classificação
é dividida em desordem de origem muscular e articular.
Só abordaremos as de origem muscular nesta revisão.
- Disfunções
Musculares – Dores musculares não
são patologias simples, e sem uma série de
alterações periféricas e centrais,
onde a dor é apenas uma das manifestações;
são as de maior freqüência na população
que procura tratamento da DTM.
As dores são
descritas como profunda, incomodativa, dolorida, pressionante
e até queimante. De acordo com o “Research
Diagnostic Criteria” (RCD) o critério
de inclusão para dores musculares dentro de “Eixo
I” (condições somáticas) rastreia
a presença de dor na mandíbula, face, têmporas,
região pré-articular, em repouso ou em função,
combinada com sensibilidade à palpação
em pelo menos 3 de 20 pontos, sendo ao menos 1 do lado da
queixa da dor.
Características
das dores musculares: dor relacionada com a função
e dor á palpação com resposta gradual:
quanto maior a pressão, maior a sensação
dolorosa. Elas são classificadas em agudas e crônicas
(mais de 6 meses com dor). As agudas se subdividem em Contração
Protetora, Mialgia Pós-Exercício e Mioespasmo.
As crônicas são as dores Miofasciais que se
caracterizam pela presença de “Trigger Points”.
Além desta classificação encontra-se
a Fibromialgia com características próprias.
- Dor
Miofascial -
É uma disfunção muscular regional crônica,
caracterizada por:
a)
pontos sensíveis nos músculos esqueléticos
mais conhecidos como “Trigger Points” ou Ponto-Gatilho.
b) dor referida local ou distante dos
“Trigger Points” que pode ser acentuada pela
palpação.
c) Em pacientes diferentes, os “Trigger
Points” devem produzir uma dor referida sempre no
mesmo local.
d) discreta restrição da
movimentação mandíbular e ou cervical.
A complexidade
do tratamento está relacionada a vários
fatores, hábitos parafuncionais, problemas posturais,
distúrbios do sono, estresse psicossocial, nutrição
inadequada, trauma físico e outras causas tem sido
relacionadas no desenvolvimento da dor miofascial.
O “Trigger
Points”é um ponto, com extensão de
1 a 2 mm, no qual estrias musculares de um músculo
esquelético, tendão ou ligamento são
capazes de causar dor referida em um determinado ponto
anatômico quando estimulado, por isso é chamado
de ponto-gatilho. A área perceptível da
dor referida de um ponto-gatilho é a zona de referência
e pode se localizar-se sobre o ponto-gatilho ou espalhar-se
a um local distante.
Avaliação
Muscular
A palpação
deve ser realizada com o paciente sentado, bilateralmente
e com os músculos em repouso. Durante o exame busca-se
localizar a presença de ponto-gatilho dentro das
estruturas miofaciais. Se o paciente sentir dor severa,
deve-se manter a palpação de 8 e 10 segundos
e perguntar se além do local que está sendo
palpado, sente dor em outro local.
Exames complementares
e neurológicos geralmente se apresentam normais.
Aplicando pressão
sobre o “Trigger Points” o paciente reage com
um sinal de pulo, sendo esta uma característica diferencial
da dor miofascial . Deve-se ter em mente que os “Trigger
Points” são pontos localizados. Nas regiões
próximas ao ponto sensível, devem apresentar
uma dor de menor intensidade ou ausência dela.
Várias
teorias tentam explicar a fisiopatologia dos pontos-gatilho:
inflamação neuronogênica, abertura das
comportas, desfacilitação do fuso, liberação
de cálcio, modificação no SNC, reflexos
viscerossomáticos e somotoviscerais.
Etiologia
e diagnóstico
Trauma tipo
chicote, excesso de abertura da boca, movimentos rápidos
durante esportes ou contração muscular intensa
como apertamento, hábitos posturais, podem iniciar
um episódio agudo de dor miofascial. Na maioria dos
casos ocorre dimunuição da sua intensidade.
Ás vezes outros músculos são comprometidos,
levando ao aparecimento de uma síndrome de dor regional.
Os fatores predisponente são: genético, fatores
sistêmicos ou mecânicos e hormonais.
Critérios
para diagnóstico:
1)
Dor na musculatura mastigatória por mais
de 3 meses;
2) Aumento da dor muscular durante a função
e a palpação;
A anamnese
é o fator mais importante no diagnóstico.
Através dela direciona-se o rumo a ser tomado e parte-se
para o exame físico, e exames complementares.
Podem ser
solicitadas de acordo com a necessidade de avaliação,
para confirmar o diagnóstico ou excluir outras patologias,
radiografias Panorâmica, Transcranianas, Planigrafias,
Tomografias linear e computadorizada e a Ressonância
Magnética (que nos possibilita a visualização
dos tecidos moles, como disco articular, músculos
e estruturas associadas).
Técnicas
de Tratamentos
-
Educação
do Paciente: Orientar para evitar abertura excessiva
da boca, hábitos parafuncionais e dieta suave,
ajudam a diminuir a carga sobre a articulação.
-
Fisioterapia:
Massagem e aplicação de calor úmido
na área com dor. São
ultilizados aparelhos elétricos como o Tens (Estimulação
Elétrica Transcutânea), que produzem estímulos
elétricos de baixa intensidade sobre as fibras
não dolorosas produzindo a liberação
de substâncias analgésicas endógenas(
endorfina), levando ao alívio da dor. Ultra–Som
promove uma vaso dilatação e um calor profundo
melhorando a capacidade elástica de fibras colágenas,
facilitando a movimentação mandíbular.
-
Iontoforese:
São introduzidos nos tecidos medicamentos como
analgésicos e ou anti-inflamatórios. Laser
de baixa frequência (soft laser) produzem alívio
da dor e auxiliam na cicatrização. Exercícios
podem ser indicados para melhora da função
e movimentação mandíbular.
Para tratamento específico dos pontos gatilhos
nas dores miofascias a infiltração e o agulhamento,
podem ser um método indicado.
-
Terapia
farmacológica: Medicamentos para controle
da dor e da disfunção deverão ser
usados de maneira consciente e responsável, pois
algumas drogas apresentam efeitos colaterais. Pacientes
grávidas e em lactação, idosos ou
com doenças sistêmica necessitam maior controle.
São utilizados os analgésicos do tipo Paracetamol,
anti-inflamatórios não esteroides (AINE),
relaxantes musculares, ansiolíticos e antidepressivos
tricíclicos, de acordo com a necessidade da dor
do paciente e devem ser utilizados por período
curtos de uma semana a 10 dias.
-
Placas
oclusais estabilizadoras ou as reposicionadoras
também são utilizadas tanto para controle
das DTM de origem articular como muscular. Normalmente
a utilização da placa é de 3 a 4
meses com uso noturno. Quando assintomático, o
paciente vai diminuindo o uso da mesma sempre sob o controle
do profissional.
Fibromialgia
A Fribromialgia
(FM) é uma doença sistêmica e generalizada
dos tecidos moles, que se caracteriza por dor em todo o
corpo, principalmante nos grandes músculos de sustentação.
Além da dor generalizada, a FM se caracterizada por
pontos sensíveis em locais específicos. Os
pontos são sensíveis e doloridos á
palpação e não devem ser confundidos
com os pontos-gatilho, presentes na dor miofascial, pois
diferem dos últimos, por não causarem dor
referida. Pacientes com FM reclamam de dor generalizada
e possuem dificuldade em localiza-la. É uma doença
que não tem cura.
Critério
para diagnóstico:
1)
Paciente possui dor crônica difusa e rigidez
em todo o corpo ou ao longo da coluna vertebral.
2) Apresenta no mínimo 11 dos 18
pontos sensíveis bilaterais e simétricos em
áreas específica e que não devem estar
presentes em pacientes não portadores de FM.
3) Dor
com duração de no mínimo 3 a 6 meses.
4) Outras doenças devem ser excluídas:
artrite, fraqueza muscular ou desordem neurológica.
Junto com a dor, devem estar presentes a fadiga e o distúrbios
do sono. Podem estar associaodos parestesias, dores de cabeça
do tipo tensão, sintomas sugestivos da síndrome
do intestino irritado e incapacidade funcional.
Tratamento:
A orientação e conscientização
do paciente em relação á doença
é muito importante . O objetivo principal do tratamento
é a redução dos sintomas, estimulando
o paciente a se adaptar e conviver com períodos de
redução e exacerbação das dores.
Medicamentos
como Amitriptilina e Ciclobenzaprina são efetivos,
devido a seus efeitos analgésicos receitados em baixa
dosagem. Exercícios aeróbicos, redução
de estresse e terapias de relaxamento contribuem na diminuição
da dor.
Referências
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SILVA,R. Oclusão e Disfunção Temporomandibular:
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- BELL,W.E.
Orofacial Pains: Classification, Diagnosis, Management,
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- American
Academy of Orofacial Pain Mcneill, C. ed. Temporomandibular
disorders: guidelines for classification, assessment, and
management. , ed.2, Chicago: Quintessence, 1993.
Fonte:
Brigitte Viviane D. Petri Esgaib
Especialista em Cirurgia Buco Maxilo Facial
Especialista em Ortondontia
Especialista em Administração Hospitalar
E-mail: drabrigitte@ig.com.br
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